Indústria automotiva brasileira se reinventa com elétricos e chinesas
Fábricas tradicionais são transformadas em polos de veículos elétricos com chegada de montadoras chinesas ao Brasil.
O mercado automóvel brasileiro está passando por uma transformação significativa. Enquanto algumas montadoras tradicionais encerram suas operações no país, outras empresas — principalmente chinesas — chegam para ocupar essas estruturas e investir em tecnologia de veículos elétricos e híbridos.
Um exemplo emblemático é a fábrica de Iracemápolis, em São Paulo, que deixou de produzir veículos da Mercedes-Benz em junho e agora recebe investimentos da GWM, empresa chinesa focada em eletrificação. Situação semelhante ocorreu em outras regiões: a Ford deixou suas unidades na Bahia e no Ceará, que hoje atraem a chinesa BYD e a britânica MG Motor.
De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil não está perdendo sua capacidade produtiva, mas sim redirecionando-a para novos modelos de negócio. A tendência ganhou força após a pandemia, quando a demanda global por veículos mais eficientes e com menor impacto ambiental acelerou a inovação do setor.
O foco agora está em veículos eletrificados — termo que engloba tanto carros 100% elétricos quanto híbridos, que combinam motor de combustão com bateria para reduzir emissões. Essa mudança alinha-se aos objetivos de descarbonização e renovação tecnológica defendidos pelo governo.
Contudo, há preocupações no setor tradicional. A Anfavea busca medidas para proteger investimentos das montadoras brasileiras frente ao aumento de importações asiáticas. A entidade também questiona o modelo de montagem adotado pelas chinesas, considerando-o potencialmente prejudicial à competitividade local.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reafirmou que as cotas de importação retomadas estão alinhadas a ações de renovação da frota e inovação. Especialistas indicam que esse é um processo irreversível: a indústria automotiva mundial caminha para veículos cada vez mais inteligentes, eficientes e eletrificados, com protagonismo crescente de empresas chinesas nessa transformação.
Baseado em conteúdo de: G1 Economia