Economia18 de julho de 2026· G1 Economia

Copa do Mundo vira arena de disputa por influência entre empresas e governos

FIFA amplia receitas com marketing em 220% e atrai empresas estatais e instituições financeiras como patrocinadores.

A Copa do Mundo transformou-se em muito mais do que um espetáculo de futebol. O torneio tornou-se um dos maiores palcos comerciais do planeta, onde petrolíferas estatais, bancos internacionais e até companhias aéreas de governos disputam espaço e visibilidade.

Na edição de 2026, o portfólio de patrocinadores da FIFA revela essa mudança profunda. Além das marcas tradicionais que dominavam os torneios anteriores - como Adidas, Coca-Cola e Unilever - agora vemos nomes como Bank of America, Verizon, Qatar Airways e a petrolífera saudita Aramco entre os apoiadores oficiais. Essa transformação reflete uma estratégia de países que usam a visibilidade do evento para projetar poder e influência global.

Os números impressionam. Para o período entre 2023 e 2026, a FIFA projeta arrecadar até US$ 13 bilhões. Apenas duas décadas atrás, o total era cinco vezes menor. O crescimento nas receitas de marketing é ainda mais expressivo: passaram de US$ 560 milhões para estimados US$ 1,8 bilhão - um aumento de mais de 220%.

A FIFA, registrada como uma associação sem fins lucrativos na Suíça, afirma que reinveste esses recursos no desenvolvimento do futebol mundial. Porém, a entidade enfrentou questionamentos sobre transparência e corrupção ao longo da última década, o que levou à implementação de novos mecanismos de controle e fiscalização.

A estratégia de monetização também evoluiu. A entidade reorganizou completamente a venda dos espaços comerciais, criando novas categorias de patrocínio e permitindo que mais empresas com perfis diversos participem. Isso abriu portas para que instituições financeiras, empresas de energia e até órgãos governamentais entrassem na competição por visibilidade.

Especialistas, como pesquisadores da USP, apontam que a Copa deixou de ser apenas uma vitrine para multinacionais tradicionais. Agora funciona como uma ferramenta diplomática e de soft power, onde países avançam seus interesses geopolíticos por meio de seus campeões corporativos.

Baseado em conteúdo de: G1 Economia