Economia18 de julho de 2026· G1 Economia

Brasil pode usar Lei de Reciprocidade contra tarifas dos EUA

Governo estuda retaliação comercial após Trump impor 25% de tarifa em produtos brasileiros, mas especialistas alertam para cautela.

O Brasil enfrenta uma encruzilhada comercial após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor no dia 22, afeta setores estratégicos como etanol, máquinas agrícolas e papel, gerando preocupação na economia nacional.

Em resposta ao movimento americano, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva acionou formalmente a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025. Essa legislação oferece ao Brasil instrumentos legais para retaliar países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas injustificadas. O Palácio do Planalto classificou a decisão americana como um "marco lastimável" e prometeu responder no "momento adequado".

O vice-presidente Geraldo Alckmin adotou tom de defesa da soberania nacional, mas manteve cautela ao declarar que a lei será aplicada com prudência. Isso reflete a postura do governo: manter firmeza política enquanto preserva canais de diálogo técnico com Washington.

Especialistas consultados pelo mercado enfatizam que o Brasil não deve agir precipitadamente. Uma retaliação impulsiva carrega riscos significativos para a economia interna. Antes de qualquer ação baseada na Lei de Reciprocidade, o governo precisa realizar análises detalhadas dos impactos no mercado doméstico, avaliar cadeiras produtivas e considerar possíveis contra-respostas americanas. O processo é complexo e exige tempo.

Vale destacar que a lista de produtos isentos da tarifa americana é extensa, incluindo petróleo, café e carne bovina — itens de grande relevância para as exportações brasileiras. Porém, setores inteiros ficam expostos, criando pressão sobre o governo para uma resposta.

A tendência, segundo analistas, é que Brasília mantenha um discurso duro e soberano nos próximos dias, mas aguarde mais informações sobre as repercussões reais das tarifas antes de usar seus instrumentos de retaliação. O equilíbrio entre proteger a indústria brasileira e evitar uma escalada comercial será fundamental para preservar tanto a economia doméstica quanto as relações comerciais internacionais.

Baseado em conteúdo de: G1 Economia