Brasil enfrenta possível tarifa americana de até 37,5% em produtos
EUA podem aplicar sobretaxas cumulativas sobre produtos brasileiros por falha no combate ao trabalho forçado.
O Brasil pode enfrentar novas tarifas dos Estados Unidos em breve. O governo americano pretende cobrar uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre mercadorias brasileiras como punição pela falta de fiscalização adequada de produtos feitos com trabalho forçado. Essa possível cobrança se soma à tarifa de 25% já anunciada pela administração americana, levantando preocupações sobre um efeito cumulativo que chegaria a 37,5%.
A grande incerteza agora é saber se essas duas tarifas vão incidir simultaneamente sobre os mesmos produtos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a resposta virá na próxima semana. Segundo ele, a investigação sobre trabalho forçado deve ser concluída na sexta-feira seguinte ao comunicado, quando os americanos anunciarão se haverá acúmulo de taxas ou exclusão entre elas.
As decisões dos Estados Unidos seguem a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento que Washington utiliza para impor penalidades comerciais. Uma investigação iniciada em março deste ano concluiu que 59 países, além da União Europeia, deixaram de proibir e fiscalizar adequadamente importações de bens produzidos em condições de trabalho forçado. O Brasil está incluído nessa lista.
De acordo com interpretações do governo brasileiro, a tarifa de 12,5% sobre trabalho forçado viria para substituir outra cobrança de 10% que terminará na próxima semana. Essa estratégia faz parte de uma reestruturação das políticas tarifárias americanas. O ministro explicou que a expectativa é de que todos os 59 países afetados recebam a mesma tarifa adicional de 12,5%.
Para a economia brasileira, o cenário é delicado. Empresas exportadoras aguardam ansiosas pela definição do governo americano. Se as tarifas forem cumulativas, produtos brasileiros ficarão significativamente mais caros no mercado americano, prejudicando a competitividade. Se forem excludentes, o impacto será menor. Enquanto isso, o Brasil continua negociando para resolver a questão do combate ao trabalho forçado e evitar penalidades ainda maiores.
Baseado em conteúdo de: G1 Economia