Economia18 de julho de 2026· InfoMoney

América Latina desperta para ouro dos minerais críticos da energia limpa

Moody's aponta potencial da região em minerais essenciais para transição energética, mas alerta sobre desafios estruturais.

A América Latina possui uma riqueza natural que pode se tornar decisiva nos próximos anos: reservas abundantes de minerais críticos fundamentais para a transição global para energias renováveis. Segundo análise da agência de classificação de risco Moody's, a região tem tudo para liderar a produção mundial desses ativos tão procurados pelo mercado internacional.

Minerais como lítio, cobre, cobalto e níquel são essenciais na fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas. Com a demanda global por essas matérias-primas disparando nos próximos anos, a América Latina poderia fortalecer sua posição geoeconômica e gerar bilhões em receitas de exportação.

No entanto, o estudo da Moody's traz um aviso importante: simplesmente ter esses recursos não é suficiente. A região enfrenta obstáculos significativos que precisam ser superados para converter seu potencial natural em vantagem econômica real. Os principais desafios incluem a falta de investimento em infraestrutura, acesso limitado a capital para expandir operações, tecnologia defasada em comparação com concorrentes globais e dificuldades para acessar mercados consumidores de forma competitiva.

O Brasil, Chile, Peru e Argentina aparecem como principais atores nesse cenário. Enquanto isso, a China e outros países asiáticos já dominam a cadeia de processamento e manufatura desses minerais, capturando a maior parte do valor agregado. A América Latina corre o risco de permanecer como mera fornecedora de matéria-prima bruta, sem participar dos lucros mais substanciais da indústria.

Especialistas destacam que a região necessita de políticas públicas ambiciosas, parcerias estratégicas com investidores internacionais e investimento massivo em educação técnica e tecnologia. Sem essas mudanças estruturais, o potencial em minerais críticos pode continuar sendo apenas uma promessa não realizada.

Para investidores, essa situação abre oportunidades em empresas de mineração latino-americanas e em fundos que apostam na transição energética global, mas exige análise cuidadosa dos riscos regulatórios e políticos.

Baseado em conteúdo de: InfoMoney