Agro brasileiro muda rotas após tarifas de Trump
Produtores brasileiros redirecionam exportações para outros mercados diante de sobretaxas de até 37,5% impostas pelos EUA.
O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário desafiador com a implementação de novas tarifas americanas. A partir de terça-feira, uma sobretaxa de 25% incidirá sobre produtos brasileiros que não constam da lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos. Para alguns segmentos, a cobrança adicional poderá atingir até 37,5% se uma segunda investigação comercial resultar na taxa complementar de 12,5%.
O impacto é significativo: cerca de 36,5% das exportações do agronegócio para o mercado americano ficarão sujeitas à tarifa adicional, afetando aproximadamente US$ 4,6 bilhões em vendas. Cadeias produtivas como uva, ovos, madeira, arroz e açúcar estão entre as principais prejudicadas pela medida protecionista.
Diante dessa realidade, produtores já começam a reposicionar suas estratégias comerciais. O caso do produtor de uvas do Vale do São Francisco exemplifica bem essa transformação. Enquanto em 2024 a fazenda despachava cerca de 50 paletes para os EUA, em 2025 esse número caiu drasticamente para apenas 6 unidades. A projeção para 2026 é ainda mais desanimadora, com expectativa de que as vendas ao mercado americano praticamente desapareçam, a menos que compradores norte-americanos aceitem arcar com parte dos custos adicionais.
Como alternativa, muitos produtores estão redirecionando suas vendas para mercados alternativos. Europa e Argentina emergem como destinos promissores para essas exportações. Esse movimento reflete uma estratégia de diversificação que visa minimizar a dependência do mercado norte-americano e preservar margens de lucro em um contexto comercial cada vez mais protecionista.
A mudança de rota representa tanto um desafio quanto uma oportunidade de expansão em outros mercados. No entanto, a capacidade de adaptação do setor dependerá de fatores como logística, demanda internacional e capacidade produtiva para atender novos compradores em prazos viáveis.
Baseado em conteúdo de: G1 Economia